Marcha das centrais chega a Brasília – Publicada em 14.12.2004
Milhares de trabalhadores, líderes sindicais e representantes de movimentos sociais chegam nessa terça-feira (14) ao Parque da Cidade, em Brasília, na Marcha à Brasília pelo salário mínimo. A hora prevista da chegada é às 16 horas, quando haverá ato político e cultural, reunindo manifestantes e políticos na defesa do reajuste do salário mínimo para R$320,00. Atualmente, o valor do salário mínimo é de R$260,00.
Dois mil manifestantes deram início à Marcha, na segunda-feira (13), saindo da cidade goiana de Valparaíso. Eles caminharão cerca de 50 quilômetros em três dias, até quarta-feira (15), data em que os presidentes das centrais sindicais esperam ser recebidos pelo presidente Lula. A Carta Aberta ao Presidente da República, com as reivindicações dos trabalhadores brasileiros, será divulgada depois de ser protocolada oficialmente no Palácio do Planalto.
A organização da Marcha prevê a chegada de 3 mil manifestantes, com caravanas de pelo menos 11 Estados. Vários delas foram se incorporando à Marcha ao longo do caminho. Do Parque da Cidade, onde os manifestantes pernoitarão de terça para quarta-feira, eles saem em caminhada pelo Eixo Monumental até a Esplanada dos Ministérios. Na noite dessa terça-feira, haverá ato político no Parque, com a presença de representantes da CNBB (Conferência Nacional dos Bispos de Brasil), OAB (Ordem dos Advogados do Brasil), MST (Movimento Sem-Terra), UNE (União Nacional os Estudantes) e CMP (Central de Movimentos Populares).
Unificação
Segundo João Lopes, secretário de Política Sindical da CUT (Central Única dos Trabalhadores) do Distrito Federal, as reivindicações unificam os trabalhadores. A Marcha é promovida pela CUT, CGT, SDS e Força Sindical. As centrais sindicais querem, além do reajuste do salário mínimo para R$320,00, o compromisso do governo de que não aumentará a defasagem existente na tabela do Imposto de Renda, corrigindo a tabela com a inflação registrada durante o mandato, que nos dois primeiros anos, é de 17%.
Outra questão que as centrais sindicais querem ver debatida, ainda este ano, com o governo federal, é o reajuste do salário do servidor público federal. A proposta orçamentária do governo não reserva recursos para isso.
Na noite de segunda-feira (13), os manifestantes pernoitaram na Asmec (Associação dos Servidores do Ministério da Educação e Cultura), no Núcleo Bandeirantes, onde foram desenvolvidas atividades culturais e debate sobre o orçamento 2005 e o salário mínimo entre as entidades promotoras da Marcha.
Novo valor
O presidente Luiz Inácio Lula da Silva reuniu na segunda-feira (13) a coordenação política do governo para tentar definir o novo valor do salário mínimo. Lula pediu aos ministérios da Fazenda e do Planejamento que refaçam as contas para que permitam um mínimo de R$300. A quantia representa aumento real de 8% acima da inflação e impacto adicional de R$2,5 bilhões no orçamento de 2005.
O governo analisa duas propostas: conceder R$300 a partir de maio ou antecipar a data do reajuste para janeiro, fixando o mínimo em R$290.
“Construção coletiva”
O senador Romero Jucá (PMDB/RR), relator-geral do projeto de orçamento da União para 2005, disse ter recebido do presidente Lula pedido para buscar recursos “confiáveis” destinados a garantir o reajuste do valor do salário no próximo ano, sem ferir o equilíbrio fiscal. “A elevação do salário mínimo é uma bandeira do presidente Lula e estamos procurando fórmulas responsáveis para enfrentar este desafio”, relatou Jucá.
O senador observou, porém, que será necessário buscar um caminho de equilíbrio na definição do valor do salário mínimo. Enquanto as centrais sindicais propõem a concessão de aumento real, ponderou, prefeitos de pequenas cidades do país têm demonstrado preocupação com os efeitos de reajuste mais elevado sobre as contas dos municípios e com a possibilidade de demissão de servidores.
Jucá ressaltou ainda a dificuldade de se definir o reajuste da tabela do Imposto de Renda de Pessoas Físicas. Se, por um lado, a medida pode beneficiar a classe média, lembrou, por outro poderá levar à diminuição da arrecadação do imposto e a conseqüente redução de repasses a estados e municípios.
Para o senador, até agora, a única garantia era de que o mínimo poderia ser aumentado para R$283,00, acrescentando que, qualquer valor acima disso, a ser pago em maio ou já a partir de janeiro, depende de se encointrar fontes de custeio. O senador Paulo Paim (PT/RS) vem defendendo um mínimo de R$300 e há notícias na imprensa de que o ministro do Trabalho, Ricardo Berzoini, também defenderia patamar maior para o mínimo.
Fonte: Portal Vermelho – Márcia Xavier, com agências
